sábado, 4 de fevereiro de 2012

Meus empregos na Irlanda

Oi pessoal!
Recebi esse findi um e-mail da Nanda, uma leitora, com a sugestão de um post: como é o meu trabalho por aqui. nJá tinha pensado em postar sobre isso, mas como não tem muito a ver com meu blog, fiquei em dúvida. Mas acho bom, sim, postar isso pra informar quem está vindo.

O primeiro post que falei sobre isso foi AQUI. Estava começando a trabalhar como Aupair, am Agosto de 2010. Mas muita coisa mudou desde então.
Então vou abrir o jogo pra vocês, sem medo, pra saberem sobre esses trabalhos.

Cheguei em fim de maio, e logo comecei a procurar emprego de Aupair, que é ser babá aqui, pode morar na casa da família (live in) OU morar em sua própria casa  (live out)e ir trabalhar todos os dias. Eu vim com meu namorado, então não queria morar com a família, até porque queria ter minha liberdade.
Procurei em vários sites (rollercoaster, aupairworld, aupairireland), e fiz minha primeira entrevista 1 semana depois que cheguei, super longe de onde eu morava, e toda nervosa porque não dominava bem o inglês. Não passei, claro.
Aí fiz mais entrevistas ao longo de junho, e no início de julho, fui selecionada para trabalhar (live out) em uma família num bairro longe (levava 45 min de ônibus pra ir). Vou ser sincera: foi difícil (pra não falar outra palavra).  O trabalho era basicamente chegar as 7h da manhã na casa, aí os pais saiam e me deixavam com as crianças, que eram 4: a caçula Rachel de 3,5 anos, a Laura de 8, o Tom de 9, e a Kate de 13. Todos eram muito educados e queridos, mas trabalhar com criança não é NADA facil. Eu cuidava mais da Rachel, que era manhosa e mimada, e requeria muita atenção. Então chegava na casa, vestia a Rachel (sempre chorava pra colocar a roupa), dava café da manhã (cereal com leite) e deixava ela pronta pra sair as 9h (nisso os outros ja tinham ido pra escola sozinhos). Aí levava ela no carrinho (ela era MUITO pesada kkk) até a creche, e deixava ela la (era a primeira vez dela na escolinha, ela chorava todos os dias pra eu deixar ela lá). Dai voltava pra casa, arrumava a cozinha (que eles deixavam uma ZONA), botava roupa deles pra lavar e secar as ja lavadas, e nisso ja tinha que ir buscar a Rachel na escola de novo. Ai, fazia almoço pra Rachel e pra mim (a rotina alimentar deles é MUITO esquisita), e depois disso, ia buscar as outras crianças (menos a Kate, que vinha a pé mais tarde) nas escolas, que ficava perto, mas longe pra ir a pé. Cada um em uma escola, em horarios diferentes. Essa parte era a mais cansativa viu! Voltava morta pra casa! E nisso, a Rachel queria sempre brincar (umas 3h da tarde), mas ai eu tinha que começar a preparar a janta deles, que tinha que estar na mesa as 5h da tarde em ponto (é, eles jantam nesse horário). E nessa hora, assim que um dos pais chegava, eu ia embora, feliz da vida por ter acabado meu dia. Eu trabalhava assim às terças, quartas e quintas, somente, e ganhava 150,00 euros por semana (5,00 euros por hora - muito abaixo do minimo na Irlanda). Era cansativo demais, e eu achava as crianças meio chatinhas e muito mimadas, tentei educar a Rachel, porque ela era mimada DEMAIS...mas as vezes era legal porque a Rachel dizia que me amava, que adorava a minha comida, me abraçava e subia no meu colo. Era um mixto de sentimentos...Mas o que eu ganhava era MUITO pouco. Eu juntava 60 por semana pras contas + 20 por semana pra comida, e o que sobrava era meu mesmo, e era pouco pra mim. As vezes eu fazia uns babysitters (so por algumas horas, à noite) pra ganhar mais grana. E tinha vezes que eu ficava mais horas lá, ou ia no fim de semana (pago extra, claro). Fora que estava começando a esfriar, e eu MORRIA de frio naquela zona da cidade, as 7h da manhã, era muitooo frio (chegava a doer).

Tirei poucas fotos de lá, são do meu celular:


As meninas colegas da Laura saindo da aula (e as mães e babás esperando lá fora): repara no uniforme!


Olha como é a escola da Laura!!Parece Hogwarts! Huhhuh




O condomínio que eles moram é esse, bem bonitinho...

Aqui tenho um video de um dia que passei um fim de semana lá. A Rachel queria dar uma festinha pros amiguinhos dela (vizinhos do condominio) e estava me contando o que ia fazer:



Enfim, lá por Setembro eu estava REZANDO pra arranjar outra coisa, senão ia voltar mais cedo pro Brasil, afinal, com o dinheiro que eu estava ganhando não dava pra fazer o que eu queria fazer, então perderia o sentido ficar mais tempo. E eu estava mandando curriculos para as empresad, restaurantes, bares, mas eles sempre queriam alguem com experiência. Estava desanimando.
Enfim, um dia recebi um recado de uma conhecida (pela internet) dizendo que a irmã dela que morava aqui estava voltando para o Brasil, e não sabia quem indicar para o pub que ela trabalhava. Foi ai que minha chance apareceu: entrei em contato com essa menina, que por acaso é uma FOFA, e deixei meu curriculo com ela. Ela me indicou, e 3 semanas depois fui chamada para uma entrevista com a chefona do pub. Claro que nessas 3 semanas eu quase não dormi, de tanta ansiedade. E fui, ensaiei um textinho em inglês, me acalmei, e tudo saiu bem na entrevista, no dia seguinte ja fiz um teste (foi dia 28 de setembro, meu aniver), e fui testada nas 2 semanas seguintes. Essas duas semanas eu estava MUITO doente, com febre, trabalhando no aupair e no pub, me esforçando ao maximo pra ficar no pub. Foi HORRIVEL, confesso.
Mas tudo melhorou quando eu sarei, sai do aupair e fui confirmada como a nova funcionaria fixa do pub. Thanks GOD! Um emprego desses esta sendo disputado A TAPA aqui na Irlanda. 

O nome do pub que eu trabalho (que é mais um restaurante do que pub) é Woolshed Baa, um restaurante australiano em que eles passam jogos de tudo que é esporte (tem telões espalhados pelo pub, e até arquibancadas), e servem comidas para comer vendo esses jogos (tipicas da Austrália) e bebidas de vários países. É suuper legal!! O pessoal é de vários países (Austrália, Canadá, Irlanda, Polônia, Ilhas Maurício, etc...) e isso é ótimo: enriqueci meus valores como pessoa, melhorei muito meu inglês, e aprendo coisas diferentes sobre outras culturas diariamente. É isso que eu buscava quando cheguei na Irlanda. Nesse pub, exigem um excelente serviço de você (até porque, se você não for ótimo, eles tem mil currículos esperando ligações), exigem atenção, pró-atividade (muita), interesse, simpatia, postura, e mil outras coisas. Está sendo ótimo para o meu lado profissional e também para o pessoal. Amo trabalhar nesse pub, e apesar de rígido, o clima é bem descontraído, todo mundo se gosta, se respeita, são honestos, queridos...me surpreendo com meus colegas, adoro trabalhar com eles.
E além de ser bom pra trabalhar, tem mais 3 fatores ótimos pra mim: o pub fica na minha rua (5 minutos andando), trabalho só a noite (não encaro o frio da manhã, que é bem pior), e os clientes dão ótimas gorgetas (se você é um bom funcionário). O salário que ganho lá é de 9,05 euros por hora (o mínimo da Irlanda é 8,65 euros por hora), e trabalho entre 32 e 40 horas por semana. Muita diferença do Aupair!

Meu uniforme é uma camiseta vermelha do pub, um avental da Guinnes (cerveja da Irlanda), 1 pochete (feia, mas necessária), e vou sempre de legging confortável preta, tênis preto e cabelo preso. E só!

As vezes temos coisas especiais: festas, celebrações, finais de jogos, etc. Nesses dias sempre tem uma programação especial: às vezes uma comida ou bebida diferente, preços, horários de funcionamento, uniformes, etc. O mais legal é quando resolvemos fazer algo junto (o pessoal que trabalha lá): bebemos juntos, vamos para a cada de algum deles, ou para um pub (quando não permanecemos no próprio Woolshed). É MUITO divertido!
O lado ruim é que preciso ficar muitas horas (de 4 a 10h por turno, dependendo do dia) de pé e andando pra lá e pra cá, subindo e descendo escadas, limpando (sim, eu não sou só garçonete, limpo também), ou seja: trabalho MUITO braçal, mas que nos exige raciocínio rápido pra decidir rápido e agir no meio da maior confusão. Volto super cansada, após começar a trabalhar lá, passei a dormir 10h por noite pra conseguir recuperar. 
Mas o salario que ganho me propicia uma qualidade de vida LINDA! Posso viajar pra tudo que é lado a hora que quiser (o pub tem flexibilidade nisso, basta avisar com antecedência - e bom senso), comer super bem, comprar muuuito! Vocês viram né rrsrssrs. Fico ate triste de pensar em voltar pro Brasil e perder isso.
Bom, aqui vão algumas fotos do meu trabalho:























Segundo andar do pub, em um dia de festa.




























Eu, com uniforme, tirando foto com uns clientes no Australian Day





























Alguns dos meus colegas de trabalho: Emma (Austrália), Diego (Brasil), Stephanie (Canadá), Bruno (Brasil), Issy (Finlândia)





























Decor das "torneiras" de cerveja pro Natal.


Uma Guinnes sendo preparada (tem toda uma técnica)...

Meu colega Irish, Mark, preparando uma Jug
 (jarra) de cerveja.

O Bar pro Australian Day

 Colegas no Australian Day: Aedin (Irlandesa) e Bruno (Brasil).


Bruno se preparando pro Australian Day.

Colegas: Emma e Sarah

Os clientes enlouquecidos...

Decoração pro Halloween

Bar...

Entrando no clima do Halloween: Aedin e Sarah

Eu, maquiada pra trabalhar no Halloween, com alguns dos clientes mais frequentes...

Equipe da cozinha, no Halloween: da Polônia e das Ilhas Maurício

Obs.: Aqui estou trabalhando com essas coisas que eu não trabalharia no Brasil, mas aqui a cabeça é outra. Pessoas bem de vida de países ricos tb vem pra cá trabalhar nisso, é tão interessante de ver... 
Ninguém é melhor que ninguém, e com um salário desses vivo melhor que uma Publicitária formada no Brasil. No início senti uma sensação de humilhação, mas logo passou, afinal, estou aqui pra abrir a cabeça, o que todos deveriam fazer uma vez na vida: faz muuuuuuito bem!


Bom gente, é isso aí! Cada um tem suas experiências de trabalho no exterior, e essas foram as minhas, mas já dá pra ter uma idéia de como é o trabalho desse tipo aqui.
Espero que esse post tenha sido bem útil!

Beijosss!!


10 comentários:

Gabi disse...

AMEI esse post, muito legal mesmo ler a respeito disso, tou planejando uma viagem tb e me pego pensando como será trabalhar num "emprego inferior", acho uma mentalidade mt brasil, que faz questão de separar/classificar por classe social.

Grace disse...

Ola! Adoro seu blog! Pretendo ir para a Irlanda ano que vem e ler tudo isso tem me ajudado muito! Me identifiquei contigo, também sou gaúcha e estudo na ufrgs hehe Estas de parabéns!

Fernanda Draganov Gelesko disse...

Nossa Elisa muito bom esse seu post!! Adorei as informações. Estou indo para a irlanda dia 15 e estou super preocupada se irei ou não consegui um emprego. Voce começou a mandar seu curriculo antes de chegar na irlanda?

Nanda! disse...

Elisaaa.....QUE POST TUDO!!!!
obrigada por atender meu pedido, obrigada pela atenção, pelo carinho e por expor sua vida assim para nós leitoras....
eu estou chegando dia 2/3, meu inglês é intermediário aqui, e sei que aí vai ser um mero basicão! E a grana (inclusive q é dos meus pais) não dura muito, vc sabe! Eu quero trabalhar, primeiro minha mente para aceitar trabalhar nos "subempregos" (embora tenha sido uma escolha minha e eu tento todos os dias mentalizar que aí é super normal e livre de preconceitos, mas nada como respirar isso aí, né? =D) e depois trabalhar muito para conquistar tudo q sonho (assim como vc está fazendo)....
É tão bom e confortante "ouvir" estórias como a sua, de dedicação, oportunidades boas, anjos que apareceram no caminho, foco e determinação, que fazem vc realizar suas metas! É só isso que eu quero!
Assim como vc sou formada, farmacêutica e mestre na minha área, e estou abrindo mão de uma vida cômoda para dar um tempo na farma,e também viver e mais q isso, aprender a viver melhor!
E pessoas como vc, já começaram a contribuir grandemente com esse sonho q incio daqui menos de um mês!
Mais uma vez muito obrigada, espero um dia poder ter a oportunidade de agradecer pessoalmente, que sabe!
Continue assim...;)
Parabéns!
bjãooo!

Anônimo disse...

Oi Elisa

Parabéns pelo ótimo post!!! mto interssante saber sobre o seu trabalho e de q como o começo ñ foi facil! ( aliás todo começo faz sofrer ), mas vc é lutadora,
persistente e sensata. O video ficou ótimo (seu Inglês parece mto bom). Eu tb morei fora e gosto mto da mentalidade de valorizar e respeitar o trabalho honesto,independente de classe social. Isto é desenvolvimento! E ganhar bem p viajar, comer e comprar o q quiser! maravilha!
Ótimas fotos.
Abçs
Marcia

Daiana Azevedo disse...

olá Elisa , novamente , você está de parabéns ,sua determinação e além de tudo essa persistência é inspiradora , eu amei!!!!!! o post , achei muito interessante , cada detalhe , adoro também a maneira que você escrever ,descreve tudo minuciosamente ... Achei muito interessante a cultura na Irlanda , que com certeza é também em outros países, essa maneira de valorizar o trabalhador , todos se sentem iguais , sem essa discriminação baseando-se apenas no status profissional é com certeza um dos fatores para a melhora de um país em vários aspectos , parabéns mesmo pelo post e que tudo continue dando certos ai , aproveite ao máximo esse momento , compre bastante , passeie , coma tudo de bom , aproveite o dinheiro da melhor maneira possível , eu acredito no seguinte devemos supervalorizar não o dinheiro mas as coisas que ele pode nos proporcionar ,não guarde esperando um futuro para gastar , a gente nunca sabe o dia de amanhã e se não aproveitarmos agora seremos os mais ricos do cemitério . hehehe mas claro devemos usar a sensatez rsrsrrssrrss......
um beijoooooooooooooooooo

Marcia G.M. disse...

Sensacional o post Elisa. Descobri seu blog a pouco tempo, e é muito bacana ler os relatos de uma brasileira vivendo ( e não "turistando") em outro país, e ficar babando nas suas compras tb é muito bom, meio sádico mas bom rsrsrs
Sucesso e continue com estes posts off fashion/beauty q tb são muito bons!

Lidiane disse...

AMEEEEEEEEEEEEEI o post!!!
é muito interessante saber como é viver em outro país.
:)
beijoooo!

Gáu Amaral disse...

Já favoritei seu blog!

Felicidades!

Gáu Amaral disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
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